domingo, março 12, 2017

sorting out feelings.

Não sei como começar este post. Queria apenas escrever em resposta às mensagens que tenho recebido a perguntar o que é feito de mim. Deixar de escrever no blogue não foi planeado, foi algo que simplesmente aconteceu por nenhum motivo em especial. Muito provavelmente devido ao meu ritmo de vida actual, em que chego a casa relativamente tarde e os fins-de-semana são ora para descansar ora para viajar. Este fim-de-semana, aliás, era suposto estar em Berlim, não tivesse o meu voo sido cancelado.
O que é feito de mim então? Continuo a viver em Bucareste, com muita vontade de voltar ao meu país, confesso. Ou talvez seja apenas vontade de sair de Bucareste. Aconselho-vos vivamente a vir conhecer a Roménia, mas não Bucareste. Conhecer Bucareste apenas vai dar-vos uma noção completamente errada (e negativa) do que é este país e do género de pessoas que cá vivem. Talvez por isso sinta mais saudades do nosso Sol, da nossa comida, dos nossos locais e da nossa cidadania. Mas o balanço continua a ser positivo. Viver nesta cidade deu-me a oportunidade de conhecer algumas pessoas únicas, com histórias e perspectivas que vale a pena conhecerem e que me desafiam. Só por isso já vale a pena e, a verdade, é que para já é por aqui que vou continuar e, portanto, convém continuar a aproveitar as coisas boas que esta cidade tem para oferecer, ainda que seja preciso procurar com atenção.
No trabalho corre tudo sobre rodas, com altos e baixos, mas sinto-me orgulhosa por ter conseguido adaptar-me e aprender algo completamente distinto daquilo em que me formei, recebendo feedback bastante positivo. Não é a minha área, é certo, mas, conhecendo a realidade da empregabilidade, vejo esta experiência como um plano B bastante válido, ainda que espere que seja apenas provisório.
Às vezes, quando penso demasiado, especialmente quando converso com algumas ex-colegas de curso que estão a trabalhar em Psicologia ou vou vendo o percurso delas através das redes sociais, é verdade que questiono o porquê de não ter persistido e não estar a trabalhar na área. Mas depois, quando tomo conhecimento das condições a que se estão a sujeitar, parece-me sempre que o amor à profissão não paga contas e, infelizmente, nem todos podemos contar com os nossos pais quando chega a hora de pagar a renda.
Na Roménia, apesar de o meu salário não ser extraordinário, tenho um estilo de vida que não poderia ter em Portugal, é um facto. Em Portugal, dependendo da cidade em que vivesse, conseguiria pagar as contas, a alimentação e, eventualmente, ir jantar fora ou ir ao cinema duas ou três vezes por mês. Aqui simplesmente não preciso de consultar o meu saldo no banco e tenho de admitir que isso sabe bem. Obviamente não tenho gastos extravagantes, nunca tive, mas é bom poder ir jantar fora ou ao cinema quando apetece, comprar uns ténis de que se está a precisar sem desequilibrar o orçamento, marcar um fim-de-semana algures porque vai estar bom tempo ou não ficar desesperada por ter aparecido uma despesa extra com que não estava a contar. Foi bom ter ido a Portugal e ter abastecido a despensa e o depósito do carro do meu pai, foi bom ter podido comprar ração de qualidade para o meu cão para várias semanas e, no fim disto tudo, é bom ainda conseguir por dinheiro de parte.
Se gostaria de estar a trabalhar como Psicóloga? Com toda a certeza! Se trocaria o à vontade que tenho agora pelo aperto que sentia antes? Não. Eu sei o que é chegar a meio do mês e poder comprar apenas o indispensável porque o dinheiro que está na conta já só chega para pagar a electricidade no fim do mês. Sei o que é não poder usar o carro porque não há dinheiro para abastecer o depósito. Sei o que é ter de ficar de fora de certos planos com amigos simplesmente porque o dinheiro não chega para momentos de lazer. Sei o que é ver o meu pai a chorar por sentir que está a falhar por não nos conseguir dar mais do que o indispensável e, por isto tudo, é bom saber que, apesar de longe, as nossas vidas estão mais sossegadas e que uma grande parte do stress já não existe. 
Mas, como baixar os braços não é opção, ando a trabalhar num projecto para me candidatar em breve a uma bolsa de doutoramento. As hipóteses são um pouco escassas, mas vale a pena tentar. Conseguir significaria voltar ao meu país e à minha cidade do coração e dedicar-me novamente a algo que me preenche. Seria óptimo. Vamos ver no que dá. Se não for isto, outra coisa será. A vida surpreende-nos a toda a hora e, devagarinho, leva-nos ao caminho certo, no tempo certo.
Não vou prometer que vou voltar a escrever com regularidade, mas soube-me bem voltar aqui e saber de vocês. Espero fazê-lo com mais frequência. 


domingo, outubro 02, 2016

sorting out feelings.

É meia-noite e foi agora que senti vontade de escrever. O dia hoje não foi fácil. Não que tenha sido difícil, mas as lágrimas atingiram-me várias vezes, sem eu saber bem porquê mas, ao mesmo tempo, com uma ideia bem clara acerca do motivo. Ontem à noite um colega de trabalho fez-me sentir um falhanço. Sei que não o fez por mal e nem sequer o censuro. É um miúdo com 20 anos que já planeou a via até aos 35. Por muito que deseje que os planos dele se concretizem, chego a ter pena dele por tantas certezas que tem. Mas sei que também já fui assim. Ao ver-me com 26 anos, solteira e sem uma carreira, ele também tem pena de mim. Nunca o disse por estas palavras, mas já o demonstrou com muitas outras. Orgulho-me de mim mesma por ter uma auto-estima saudável e por nunca levar muito a peito os comentários, mas confesso que hoje, de cada vez que as lágrimas teimavam em cair, foram as palavras dele a causá-las. Ele não me conhece. Vê apenas aquilo que me permiti mostrar às pessoas que conheci há pouco mais de três meses. Ele é o típico miúdo que ainda acredita que basta querer muito para as coisas acontecerem. Ainda não se apercebeu que a vida, às vezes, acontece à margem do que desejamos. Quando lhe disse isto, acusou-me de ter desistido dos meus valores, quando eu sei que os meus valores vão sendo alimentados a cada dia que passa. Sei-o porque, a cada dia que passa, sinto uma maior indignação e tristeza com as injustiças que vejo à minha volta. Mas sim, ele fez-me sentir que estou a falhar. Ou talvez eu já achasse isso antes acerca de mim mesma. Estar longe não tem sido tão fácil como da primeira vez, e há dias em que tudo o que queria era voltar ao que me é familiar. Não creio que tenha só a ver com o país. Tem a ver com o contexto. Da primeira vez entreguei-me de corpo e alma ao trabalho que estava a desenvolver. Desta vez, não tenho alma para entregar porque este trabalho não é mais do que ajudar uma grande empresa a ser ainda maior. Mas lá está, a vida, às vezes, acontece. Há três meses atrás não tinha dinheiro para comprar um bilhete de autocarro. Hoje tenho dinheiro para comprar uma viagem de avião que espero gastar para visitar o meu país. Há três meses atrás, queria um trabalho que me permitisse ajudar, ser útil, tornar o mundo um lugar melhor. Hoje tenho um trabalho em que, apesar de gostar do ambiente à minha volta, não faço diferença nenhuma, não ajudo ninguém além de pessoas que já estão muito bem na vida. Dinheiro não vem de boas intenções. É uma pena que precisemos dele para viver. 

quarta-feira, setembro 14, 2016

sorting out feelings.

Nestes últimos dias têm-me ocorrido algumas daquelas questões a que jamais conseguiremos dar uma resposta certa e definitiva. Tenho-me perguntado qual é o processo que leva a que os sentimentos mudem, não de um momento para o outro, mas gradualmente. Como é que alguém que num momento é-nos tudo, mais tarde é quase um desconhecido. Eu já sei de cor e salteado aquela história do tempo que cura tudo, mas o tempo parece-me uma resposta demasiado rudimentar para algo que acaba por ter um impacto tão grande nas nossas vidas.
Há quase seis meses tinha um sentimento mesmo forte pelo O.. Não sei se seria amor. No que ao amor diz respeito, o que costumo fazer é comparar a intensidade do sentimento e, já agora, do sofrimento, quando acaba. Sendo assim, posso dizer com segurança que senti amor pelo H. e talvez tenha sentido um amor menos intenso pelo O., se é que isso existe. Hoje em dia, contudo, ele pouco mexe comigo. Ainda sinto aquela curiosidade de ir ver o que escreve ou partilha, ainda sinto vontade de falar com ele às vezes (cada vez mais raramente), confesso que ainda fico incomodada com a ideia de outra rapariga na vida dele... mas tenho a perfeita noção que é mais por orgulho ferido do que outra coisa. É estranho... gostei tanto dele e agora há alturas em que nem sequer nos consigo imaginar novamente juntos e consigo fazer uma lista mental cheia de aspectos que me atraem muito pouco nele. O facto de antes estar ansiosa à espera de uma chamada dele e de, agora, ter uma chamada dele e nem sequer fazer muita questão de retribuir, é algo que realmente me intriga.
Do outro lado, temos o H.. Um amor loooongo que sempre vi como "o tal". Na altura tinha a certeza que podia ficar com ele para sempre. Nem sei bem o que nos aconteceu pois, apesar de o sentimento ser mais do que recíproco, lá estava ele, com outra pessoa, ao mesmo tempo que mostrava de tantas formas o que sentia por mim. E foi assim que, mais uma vez com o tempo, o sentimento se foi apaziguando e, acho, se transformou num outro tipo de amor. O H. continua a ser uma das minhas pessoas preferidas no mundo. Das únicas com quem sei que, não importa a gravidade dos nossos debates, vou ficar sempre bem. Foi a pessoa que me deu o abraço mais longo quando voltei para a Roménia, repetiu vezes sem conta as saudades que sente e voltou a abraçar-me quando nos revimos no sábado. O meu carinho por ele é interminável. Talvez porque o amor fosse mesmo verdadeiro, acabei por me adaptar às coisas como elas eram e chegamos ao ponto em que vamos passear só os dois no parque e em que ele me fala sobre a possibilidade de ir viver com a namorada e eu lhe desejo a maior felicidade do mundo. 
Menos intensa, mas intrigante, há também a história com o A.. Conhecemo-nos faz agora quatro anos, a atracção foi recíproca mas nunca mais nos vimos. Porque é que é intrigante? Ainda hoje falamos! Na altura senti logo uma ligação com ele, tínhamos tanto em comum. Ainda devemos ter... E apesar de não morarmos propriamente longe, nunca fiz realmente o esforço para nos encontrarmos. Fomos falando, eu fui-me mudando e isso é uma das únicas coisas em que não nos poderiamos compatibilizar - em quatro anos eu estive sempre a mudar, ele esteve sempre no mesmo sítio. 
São histórias diferentes e sentimentos que evoluíram de forma completamente diferente. Nem sei como colocar as coisas por palavras, mas o nosso cérebro, responsável por estes gostos e desgostos, é uma coisa realmente especial. 

domingo, agosto 21, 2016

dois meses em Bucareste.

Faz hoje dois meses que me mudei para Bucareste e, desde então, já muitas coisas aconteceram. Para dizer a verdade, não foram dois meses passados inteiramente nesta cidade. Com uma viagem de trabalho de duas semanas a Portugal, uma visita de quatro dias à cidade que me acolheu enquanto fui voluntária e um fim-de-semana prolongado na praia, banhada pelo Mar Negro, os dias na capital Romena ainda não foram suficientes para a conhecer e os meus dias vão-se passando entre casa e trabalho. Bucareste não é uma cidade bonita e não quero aqui ficar por muito tempo mas, até retirar todo o conhecimento possível deste novo trabalho, vou-me manter por cá. Felizmente, daqui a nada vou passar mais três semanas em Portugal - em formação, é verdade - mas sempre vai dar para matar as saudades que já vou sentindo. 
Esta segunda experiência na Roménia é muito diferente da que tinha tido antes, mas com isso já estava a contar. A minha vida deu uma grande volta e, se há uns tempos atrás me dissessem que neste momento estaria a trabalhar para uma das maiores empresas mundiais, a ter reuniões com pessoas tão importantes que nem se dão ao trabalho de falar inglês porque têm tradutores, eu desataria a rir. Mas, no entanto, cá estou eu e, por agora, a safar-me bem! Saí completamente fora de água, estou numa área completamente nova, na qual não tinha qualquer experiência e, ainda assim, tenho recebido reconhecimento pelo meu trabalho o que me motiva para fazer mais e melhor. Claro que com esse reconhecimento vem mais responsabilidade. De entre as dezenas de funcionários que trabalham para este cliente, eu fui uma das oito escolhidas para representar a equipa e ser avaliada pelos big bosses esta semana, sem margem para erro! Mas no pressure
Tirando isso, o ambiente na empresa é bastante bom, quase toda a gente é bastante descontraída e alegre o que me faz sentir confortável e à vontade. 
Fora da empresa, tudo corre bem também, tirando alguns contratempos com dois colegas de trabalho que se tentaram incluir na minha rotina porque descobrimos que somos vizinhos. Chamadas e mensagens insistentes a tentar forçar uma amizade ou não sei bem o quê com que eu não me senti à vontade. Não gosto de ser rude, mas por outro lado tenho tentado ultrapassar essa minha tendência de fazer coisas que não quero para agradar aos outros.
E com o O.? Sim, viu-o uma vez, mais ou menos três semanas depois de chegar. No dia a seguir ele mudou-se para outra cidade. Mas foi bom, tivemos a conversa que precisávamos de ter, durou horas e no final ele deu-me um abraço sincero com um misto de saudades e de pedido de desculpas. Claro que as coisas não são tão simples e algumas atitudes dele, mais uma vez à distância, deixam-me a pensar se ele sempre foi assim e eu não consegui ver ou se são consequência de tudo o que se passou depois na vida dele, incluindo a história comigo. Não quero acreditar que me enganei tanto em relação a alguém, mas neste momento não consigo sequer imaginar a ideia de alguma vez voltar a estar com ele e isso é triste porque significa que tudo o que vi nele que me fez apaixonar desapareceu ou, pelo menos, ele deixou completamente de mostrar, para passar a ser um adolescente imaturo. Enfim...Preciso de conhecer pessoas novas... e, neste momento, estou também à procura de locais para fazer voluntariado, quer com crianças quer com animais. Assim que regressar de Portugal, em meados de Setembro, não quero deixar passar mais tempo sem me envolver nalguma coisa. 

quinta-feira, junho 30, 2016

do amor.

Uns dias antes de vir estive com uma amiga da faculdade e falávamos sobre as nossas vidas. Uma das coisas que ela me disse, apesar de tão simple, tem-me surgido no pensamento de forma recorrente desde então. Acho que foi porque achei que descreveu tão bem o que é o amor, o que é o compromisso, o que é estar numa verdadeira relação com alguém. E nunca me tinha apercebido de que era "só" isso. O que é que ela me disse? Nada de mais: "O C. começou a ter alguma dificuldade em conciliar o trabalho com o mestrado porque no trabalho estavam a abusar muito dele. Eu não ganho muito, mas disse-lhe que ele devia sair da empresa e que havíamos de conseguir dar a volta por cima". Só isto. Acho que nunca tinha pensado no amor como o acto de assumir as dificuldades do outro como nossas também. Não são os teus nem os meus problemas, são os nossos. Sempre me fez confusão ouvir um elemento do casal a aborrecer-se porque o outro, depois de um dia mau, não está com a melhor disposição. Muitas vezes ouvi alguns deles dizerem coisas como "Não descarregues em mim! Já tenho os meus problemas não preciso de levar também com os teus!". Por algum motivo isto sempre me pareceu muito errado e acho que consigo agora entender melhor porquê. Quando se ama, os problemas da outra pessoa também nos afectam. Não direi exactamente da mesma forma, mas a verdade é uma - é suposto perceber que o outro está a descarregar em nós porque somos nós a sua base segura. É preciso perceber que não é por estar zangado connosco. É preciso perceber que não é para ser levado como algo pessoal. É preciso, apenas, estar lá, dizer o tal "vamos dar a volta por cima" (tu e eu, em conjunto. dá-me a tua mão que eu não a vou largar). E foi enquanto ela me contava aquele pequeno episódio, dentro do carro, no trânsito de Coimbra, que eu percebi exactamente o tipo de amor que quero para mim. Se é que existe mais algum. 

quarta-feira, junho 29, 2016

uma semana depois.

Já conheci um monte de Portugueses. Já assistimos juntos aos dois jogos da Selecção. Já saí à noite e fui dançar. Já dormi até às duas da tarde. Já fiz amigos de vários países. Já revi três amigos de quem tinha saudades. Ainda não o revi a ele mas já tivemos uma conversa séria e já nos zangámos. Já comecei a ter formação. Já tenho uma viagem curta marcada para Portugal. Já chorei. Já ri. E sinto-me feliz. 

quarta-feira, junho 22, 2016

Estas primeiras duas semanas vou ficar hospedada num hotel, reservado pela empresa. O hotel é de quatro estrelas e, apesar de ter pequeno-almoço incluído, as almofadas são tão boas que não consegui sair da cama. Quer dizer, quatro almofadas fofas que só elas e uma cama king size só para mim... dá vontade de passar o dia na cama! 


terça-feira, junho 21, 2016

cá estou eu, na minha roménia outra vez!

Depois de um pouco mais de quatro horas de voo, lá meti os pezinhos neste solo novamente. Confesso que era toda sorrisos a entrar para o avião e a ouvir as pessoas à minha volta a falar romeno. Era toda sorrisos quando pude dizer algumas palavras de que, afinal, ainda não me esqueci, quando troquei euros por lei. Por um lado sei que seria suposto sentir-me "mal" por deixar o meu país, a família, os amigos... Por outro, sinto uma calma que não tinha sentido ainda nos últimos tempos. Se por um lado me corta o coração pensar no meu pai e no meu cão, que ficaram sozinhos lá em casa, por outro sinto que é este o passo certo, que não posso ser mãe quando sou filha - o meu papel é voar, sair do ninho! Também penso, às vezes, se será normal este entusiasmo pela Roménia, se será genuíno mas, na verdade, desconfio que esse receio tem apenas a ver com um comentário infeliz que ouvi da boca dele, há uns tempos - o tal de que estou presa à Roménia e que tenho de ultrapassar isso. Afinal, não sou a primeira nem a última a encontrar noutro país o mesmo bem-estar que encontra em "casa". Ao contrário do que aconteceu em Setembro, desta vez vim acompanhada de uma calma que me chega a assustar. Acho que ainda não assimilei bem que estou noutro país, numa cidade que ainda não conheço, onde não tenho praticamente ninguém conhecido e que estou completamente por minha conta! Sinto-me estranhamente segura, com as coisas sob controlo. A ver vamos, um dia de cada vez. Baby steps. Para já limito-me a conhecer o caminho do hotel até ao shopping onde fui para me abastecer de comida, e além do calor abrasador e do caos do trânsito, sei ainda pouco acerca da rotina desta cidade. Amanhã é um dia novo, numa vida que não é nova mas que vai certamente ser diferente!

quinta-feira, junho 16, 2016

não fosse esta mania de querer controlar tudo.

Não deixa de ser curioso que, pouco mais de três meses depois de ter terminado com ele por não existirem perspectivas de nos voltarmos a ver, me vá mudar agora de malas e bagagens para o mesmo país e para a mesma cidade. A vida prega-nos partidas do caraças, só para nos mostrar que, às vezes, mais vale estar quieto e esperar que as coisas se  resolvam sozinhas.

sorting out feelings.

O tempo vai passando e eu estou incrivelmente calma. Não que não exista alguma ansiedade, que existe, mas julgava que ia estar mais nervosa. Vejo passar os dias, e já são poucos os que tenho por aqui, mas tirando algumas dores de barriga e um ou outro baque no estômago, poucos são os sinais de ansiedade. Já tratei do que era essencial tratar antes de ir, já organizei os próximos dias de forma a fazer tudo o que quero e é necessário e, portanto, resta mesmo começar a fazer a mala. A ansiedade vai-me dando tréguas e, com certeza, mais não é do que o meu sistema límbico a dar-me sinais de que, da última vez  que me vi nesta situação, tudo correu bem e, portanto, não há agora motivos para ter receios.